Grande Mentira

Uns têm pouco, tão pouco. Outros têm muito, demais. Como conformar os que têm pouco diante do princípio da igualdade. O que é igualdade afinal? E se pudéssemos mentir, dizendo que uns têm pouco porque nasceram para ter pouco e que outros têm muito porque nasceram para ter muito. Plebe? Nobreza? Não valeria tudo para conformar? Existiria felicidade no conformismo? E se algum dia essa grande mentira fosse revelada e tudo caísse? Como conformar, mais uma vez, após tudo ser despertado? O que poderia segurar o homem acordado? Como fazer com que obedeçam cegamente? E se tudo ocorrer conforme uma vontade apenas? Que está acima de tudo e não pode ser questionada? E se eles merecessem sofrer por essa vontade? E se a vontade não precisasse ser explicada? E se não precisasse ter lógica alguma? E se fosse divina? Sofrer poderia ser divino? E se qualquer infração a essa vontade fosse um erro tão infame e vil que pudesse ser recriminado por todos? Se todos pudessem ser guardas atentos a tal erro infame? Se o chamássemos esse erro de outro nome? Pecado? E se aos miseráveis prometermos o reino dos céus? Se espalharmos a cultura da pobreza? Se somente eles, pobres, miseráveis e doentes, puderem ser bons e puros? E existisse beleza na fraqueza? Fortaleza na compaixão? Conformar-se-iam? Seriam felizes nesse conformismo? Poderíamos chamar isso de religião? Alguém acreditaria? E se não precisasse acreditar? E se não precisasse de provas? Que nome poderíamos dar a isso? Poderia ser fé?

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