Loucura

Friedrich Nietzsche – Aurora

De algo que mostrasse, assim como as convulsões e a baba do epilético, o signo visível e uma manifestação absolutamente involuntária? De algo que parecesse imprimir ao alienado a marca de alguma divindade de que ele fosse a máscara e o porta-voz? De algo que inspirasse ainda ao promotor de uma ideia nova a veneração e o temor em si mesmo, e não os remorsos, e que o impulsionasse a ser o profeta e o mártir desta ideia? – Enquanto em nossos dias se nos dá a entender constantemente que o gênio tem, em vez de um grão de bom sentido, um grão de loucura, os homens de outros tempos estavam muito mais próximos da ideia de que ali onde há loucura há também um grão de gênio e de sabedoria – algo de “divino”que se sussurrava ao ouvido. Ou melhor, expressavam-se mais claramente: ‘Pela loucura foram distribuídos os maiores benefícios sobre a Grécia’, dizia Platão com toda a humanidade antiga. Avancemos agora um passo: a todos esses homens superiores, lançados irresistivelmente a quebrar o jugo de uma moralidade qualquer e a proclamar leis novas, não lhes ficava outra coisa que fazer, quando não eram verdadeiramente loucos, senão se fazerem loucos ou simular a loucura. – E assim sucede com todos os inovadores em todos os terrenos, e não somente no terreno das instituições sacerdotais e políticas: os próprios inovadores do metro poético viram-se forçados a fazer-se acreditar pela loucura”.

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