Quem você escolhe mostra sua moral

“— (…) Diga-me o que um homem acha sexualmente atraente que lhe direi qual é toda a sua filosofia de vida. Mostre-me a mulher com quem ele dorme e lhe direi que imagem ele faz de si próprio.

(…)  — Independentemente das asneiras que lhe ensinaram a respeito do que a sexualidade tem de altruísta, o ato sexual é o mais profundamente egoísta de todos os atos, pois só pode ser realizado para o prazer de quem o pratica  — imagine realizá-lo por espírito desinteressado de caridade! —, um ato que não é possível num clima de auto-degradação, mas só de autoexaltação, somente quando se tem certeza de que se é desejado e merecedor do desejo. É um ato que força o homem a ficar nu tanto no corpo quanto no espírito e a aceitar seu ego verdadeiro como seu padrão de valor. Ele sempre será atraído pela mulher que reflete sua visão mais profunda de si próprio, a mulher cuja entrega lhe permite experimentar ou fingir o amor-próprio. O homem que está convicto do seu próprio valor e dele se orgulha há de querer o tipo mais elevado de mulher possível, a mulher que ele admira, a mais forte, a mais difícil de conquistar, porque somente a posse de uma heroína lhe dará a consciência de ter realizado algo, não apenas de ter possuído uma vagabunda desprovida de inteligência.

(…) —Ele não tenta ganhar seu valor, e sim exprimi-lo. Não há conflito entre os padrões de sua mente e os desejos de seu corpo. Mas o homem que está convencido de que não tem valor será atraído por uma mulher que despreza, porque ela refletirá seu próprio eu secreto e lhe proporcionará uma fuga daquela realidade objetiva na qual ele é uma fraude, ela lhe fornecerá uma ilusão momentânea de seu próprio valor e uma fuga momentânea do código moral que o condena. Observe o caos que é a vida sexual da maioria dos homens e repare no amontoado de contradições que constitui sua filosofia moral. Uma coisa deriva da outra. O amor é nossa resposta a nossos valores mais elevados e não pode ser outra coisa. O homem que corrompe seus próprios valores e a visão que tem de sua existência, que afirma que o amor não é o prazer que se tem consigo próprio, mas a renúncia, que a virtude consiste não em orgulho, mas em piedade, dor, fraqueza ou sacrifício, que o amor mais nobre nasce não da admiração, mas da caridade, que não é despertado por valores, mas por defeitos  — esse homem se parte em dois. Seu corpo não lhe obedecerá, não reagirá da forma apropriada e o tornará impotente em relação à mulher que ele afirma amar, impelindo-o para a prostituta mais abjeta que puder encontrar. Seu corpo sempre obedecerá à lógica profunda de suas convicções mais íntimas. Se ele acredita que os defeitos são valores, ele amaldiçoa a existência e a rotula de mal, e apenas o mal o atrai. Ele se amaldiçoa a si próprio e sentirá que a depravação é a única coisa capaz de lhe inspirar prazer. Ele associa a virtude à dor e sente que o vício é a única fonte de prazer. Então vocifera que seu corpo tem desejos abjetos que sua mente não consegue dominar, que o sexo é pecado, que o verdadeiro amor é uma emoção puramente espiritual. E então ele não entende por que o amor só lhe provoca tédio, e a sexualidade, apenas vergonha. (Trechos extraídos do livro de AYN RAND – A REVOLTA DE ATLAS, v. II)

Anúncios
Esse post foi publicado em Acordar. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s