Ira

Sentia uma vontade louca de GRITAR. Era um nó na garganta que apertava e eu sentia que, se não gritasse, poderia sufocar. Gritei. Um grito de ódio, de raiva, uma vontade terrível de bater em alguém. Se não gritasse, provavelmente bateria na porta, no vidro, no carro, nele, em qualquer coisa, mas bateria. Um sentimento perverso de destruição, dominava-me completamente. Após o grito, eu queria destruir alguma coisa, qualquer coisa linda, bem feita, que merecesse o calor da minha raiva, do potencial que eu sentia de fazer o mal, só para saciar minha vontade. De preferência, algo que lhe fosse caro, insubstituível, qualquer coisa pela qual ele tivesse o mais profundo apego sentimental. Vontade louca de agir errado, muito errado, para que talvez agindo assim, minha raiva se aquietasse, como se aquieta um animal que apanha. Eu queria ser o animal que morde e que depois apanha. Eu queria ferir e ser ferida. Não é sempre que desejamos o bem, às vezes desejamos loucamente o mal, até para nós mesmos. Eu queria e merecia sofrer. Desejava uma ferida que ardesse, um corte que sangrasse, para, enfim, ter uma cicatriz que me mostrasse sempre o poder da minha ira.  Sei que minha ira não é doce, mas não deixa de ser deliciosa. Sensação maravilhosa de ser assim, tão humana.

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