Para quem gosta de viver reprimindo a própria vida…

…É bom pensar de novo quem quer viver reprimindo a própria vida…Um pouquinho de Nietzsche para essa sexta-feira…

A vontade do homem de se achar culpado e réprobo até ao infinito; a vontade de ver-se castigado eternamente, sem que o castigo seja equivalente à culpa. A vontade de infeccionar o funesto, o profundo sentimento de todas as coisas e de fechar a saída deste labirinto de ideias fixas; a vontade de erigir um ideal, o ideal de “Deus santo”, para tornar-se-lhe evidente a própria indignidade absoluta… Oh, triste e louca besta humana! A que imaginações contra natura, a que paroxismos de demência, a que bestialidade de ideias se deixa arrastar, quando se lhe impede de ser besta de ação!…Tudo isto é muito interessante, mas quando se olha para o fundo negro deste abismo, sentem-se vertigens de tristeza enervante, e deve-se proibir a si mesmo e olhar demoradamente esse abismo. Há, ainda, não há dúvida de que isto é uma doença, a mais terrível que já existiu entre os homens e aqueles cujos ouvidos sejam capazes de ouvir, nesta negra noite de tortura e de absurdo, o grito de amor, o grito de êxtase e de desejo, o grito de redenção por amor, será presa de horror invencível…
Há tantas coisas no homem que infundem espanto! A terra tem sido há muito tempo um asilo de dementes. (Nietzsche – A genealogia da moral)

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