Culpa, sua maldita.

Culpa, sua maldita.

Hoje ouvi uma frase solta no metrô “Sabe? Aquele sentimento de culpa…”
E fiquei refletindo como deixamos com que a culpa ocupe um papel tão importante na nossa vida, nos impedindo de fazer coisas que queríamos, nos impedindo de seguir em frente, nos freando sempre por qualquer coisa, por nada, por motivo algum.
Ah, a culpa…
Essa engenhosa inimiga sempre malvada apontando o dedo feio bem na nossa cara, dizendo que não podemos isso, que não podemos aquilo, que não merecemos e tudo aquilo que fere nossos corações, que impede nossa força de vida de brotar no máximo de sua potência. Culpa é sempre maldita.
Não sei quando é que resolvemos sentir tanta culpa, carregar tanto fardo, sentir sempre tanto remorso. Não importa. Sei que ela pode controlar sua vida. Não deixe nunca. Pois se ela está fazendo isso é sempre com o intuito de prejudicá-lo. Sempre. A culpa é mesmo maldita.
Calma, eu compreendo suas dúvidas. Eu sei que a culpa, muitas vezes, vem acompanhada de algum sentimento bom. Sentimos culpa por estarmos fazendo alguma coisa que não está certa. Mas você já se perguntou: quem determina o certo? É claro também que há culpas que nascem idiotas como culpa por comer doce, mas se você tem diabetes, ela não tão idiota assim, não é mesmo? É evidente ainda que há culpas honradas. Aquelas que sentimos quando traímos alguém querido, algum princípio que nos é caro, mas há aquelas grosseiras, desenhadas pela sociedade, só para você se sentir mal, como a culpa por ser simplesmente feliz, só por que têm mais pessoas no mundo sofrendo, ou as culpas cristãs, todas desenhadas para você voltar correndo de joelhos arrependido por ter saído do cabresto. O que é mesmo ruim na culpa e que me faz odiá-la com tanto fervor não é pelo sentimento que ela protege, com disse, há culpas honradas, mas pelo que ela faz com você. Sinceramente se você já fez, o mal está feito, se isso realmente feriu algo que acredita (e não algo externo, artificial, plantado pela sociedade e que não tenha a ver com você), não faça mais e pronto. O que é horrível da culpa é que ela cria raízes e vai consumindo sua alma, sua paz de espírito. Ela não é produtiva. Ela é aniquiladora. É, por isso, que ela pode ser boa só inicialmente para percebermos eventual erro que cometemos e ponto final, mas ela ficar ali morando no seu espírito, apontando aquele dedo feio e torto bem na sua cara. Ah, não…! Isso só atrapalha. Isso mela tua vida. Isso arruína. Isso embota. Isso pode te matar, talvez não literalmente, mas pode arruinar teu espírito. Fuja dessa culpa maldita que quer fazer morada aí dentro de você. Assuma o erro, sacuda a poeira e siga em frente. É por isso que Aldous Huxley tem mesmo toda razão quando diz: “Espojar-se na lama não é a melhor maneira de ficar limpo”.

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